sábado, 24 de outubro de 2015

Flor de Lótus


"Om Mani Padme Hum"

        "Da lama, nasce a flor de Lótus..."



Transcendemos o mundo, uma e outra vez, de mãos dadas após cada tumulto, cada sombra, emergindo da lama num presente eterno.



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quarta-feira, 5 de março de 2014

Para quê palavras



“Amar-te é transcender-me de mim”
Cristina Martins




O suspiro liberta-se, nos arrepios que me estremecem corpo e alma, num suave despertar para uma realidade outrora longínqua: um recordar de sentimentos plenos e sonhos felizes ao teu lado.

O sorriso, tímido, desenha-se no rosto ruborizado, nascendo docemente do abraço intemporal, com o qual me enlevas. Abraço intenso, invisível aos olhos, mas verdadeiro no sentir, que, despudorado, se revela no desejo imanente.

De olhos cerrados, suspensa no teu respirar, delicio-me neste agora eterno em que dançamos a vida, saboreando, celebrando o sublime que nos une. O aroma da tua pele invade-me os sentidos, a essência, o ser, inebria-me a vontade, oblitera o presente.

Para quê palavras, quando, em silêncio, o amor pulsa em nós?


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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Momentos



O sol, distante, brilha no firmamento, mas não me aquece.

O azul gélido do céu arrefece-me a alma. Mesmo sem nuvens ou sinais de tempestade, sem oscilações ou mudanças, não obstante, assemelha-se a um deserto à espera de vida.

É um oceano imenso, o vazio que sinto no peito, e sei que só os teus braços, o teu corpo e os teus lábios o podem preencher. A falta do teu calor perturba-me.

Jaz um silêncio gigantesco em mim, sou todas as palavras que ficaram por dizer, todos os sorrisos apagados, todas as ausências distraídas, todos os suspiros que deambulam perdidos na aridez do degelo.

Na ampulheta que contemplo, os grão de areia deslizam em câmara lenta, e apercebo-me que não sou mais do que o reflexo das aspirações, dos desejos, uma miragem que criei dentro de mim, que se vai esfumando lentamente, como que um derreter arrastado que vai consumindo o viver.

Encontro-me alheia ao presente, sinto-me aqui, mas represento somente uma sósia transparente da essência que se precipitou em fuga apressada rumo a um esconderijo para além de qualquer fronteira, cujo maior receio é ser estilhaçada novamente em mil pedaços….

A realidade, essa, fica muito aquém da fantasia colorida que vive do outro lado do espelho. Na verdade, as cores debotaram há muito neste mundo efémero e fútil. Nada mudou, excepto a minha visão. A teia de ilusão, que inadvertidamente criei, desfez-se em ínfimas partículas que voaram ao sabor da aragem. As conchas vazias proliferam em redor, continuamente, numa estranha dança sem propósito.


Por vezes, não devíamos desejar ser mais do que momentos.



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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Chamas



Os relógios pararam, uma, outra e outra vez, por segundos, minutos, horas, dias.... O tempo desapareceu, deixando de fazer sentido, eclipsou-se no agora, diluiu-se num estado alterado de consciência. Transformou-se em pensamento alienado, em modo de pausa.

Como se tivesse sido transportada para uma película antiga, deixei de ouvir, deixei de ver. Fico muda no meu despertar de fogo. Ardo. A minha redoma interior expandiu-se na realidade do momento, presenteia a liberdade numa anátema sagrada.

O burburinho distante silenciou-se, os holofotes deixaram o palco na escuridão e a noite apropriou-se de mim. Sou apenas sentir, mas um sentir completamente vivo, pleno, vibrante. Sou êxtase em partilha, de mãos dadas, em comunhão ardente. Somos.

A ilusão quebra o sonho, clama-me de volta ao mundo colorido e apático... Os relógio voltam a bater em sintonia, ordeiramente, e os dias sucedem-se, uma, outra e outra vez..... Numa azáfama rotineira que acorrenta a vontade ao destino num horizonte planeado. Com limites, com amarras, com planos.

Até eu irromper em chamas, novamente, no meu próximo sonho.



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terça-feira, 11 de junho de 2013

Brisa



Inspiro profundamente, sentindo a maresia
Aconchegar-me os sonhos…
De olhos cerrados, perco-me nas ondas
Que, incessantes, acariciam o areal
Em mil beijos ternos.

As gotículas salgadas entranham-se,
Libertam-se da servidão do tempo,
Apaziguam o fogo que teima em querer
Irromper do peito, incendiando
Tudo em redor.

Respiro-te, em cada centímetro
De pele que a brisa busca desnudar
Na sua eterna dança ardente,
Lançando-me num mar revolto de
Saudosas lembranças…

“Anda cá” – sussurras-me,

E abraço-te como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

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Para me sentir completa, não necessito de ser todo o teu mundo. Sou feliz apenas por me sentir parte dele.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Intermitências




Sigo com o olhar os passos irresolutos
Que se perdem no areal agora já frio
Passos pálidos sob a luz da Lua distante
Que me enlaça do seu trono celeste

Vontade de seguir aqueles passos
E de olhos toldados ser a doce cativa
Das intermitências da noite escura
Oscilando entre a luz e a escuridão
Que acolhe os sonhos ocultos

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Silêncio


O desejo de estar longe
Contemplando o oceano,
De permitir que a sua
Profundidade me invada,
Onda após onda,
Que se aposse de mim
Sem hiatos,
De inspirar a maresia
Numa paz inquieta
Que divaga entre marés
E silêncio...

Volto a mim desta ausência,
A um momento sem tempo,
Sem expetativas, sem termos,
Sem roteiros, sem perdas.
Volto à luz que se reflete
Profusamente no abraço
Que me acalenta na solidão.

Volto do sonho ao desejo,
Num círculo eterno.




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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Heartbeat




Os fotogramas sucedem-se numa cadência vagarosa e pausada, conferindo uma aura sépia às imagens que, contrariadas, despertam da doce magia da madrugada. A noite foi longa, nebulosa, repleta de sonhos surreais e desejos prementes, espelhados nos olhos fixos no infinito, brilhando como tochas ardentes que se incendeiam ante os primeiros raios de sol da manhã. As gotas de orvalho aconchegaram-se, durante a noite, nas folhas das árvores, mas evaporam agora com o calor emanado pelo coração intempestivo que bate ininterrupto, oculto algures, no âmago da terra, entre as raízes do destino.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

O ritmo espaçado entranha-se irremediavelmente, ecoando pelos bosques, em mim, arrebatado pela aragem irrequieta faz estremecer o céu, alterando a rumo das nuvens esparsas que se espraiavam languidamente ao sabor da brisa, embelezando a aurora.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

Abraça-me, este compasso que se aninha em mim, cingindo toda a existência na sua dança eterna, subjugando a vontade e anulando a razão, que busca em vão reter esta onda poderosa que  tudo absorve em redor, num bailado singelo e apaixonado. Sente-se, o fragor que inunda e permeia, acalenta e arrepia, que completa e deixa o vazio, a cada ausência.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

O bater intervalado é agora a  melodia que me ferve nas veias insinuando-se como oásis de puro deleite, clamando por cada fibra do ser, conquistando cada momento solitário, revelando-se o véu misterioso que oculta o segredo dos ensejos.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

A noite tarda ainda, o reflexo encantador hipnotiza, a sede do toque agudiza-se.




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