terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Alma que sabe a mar



De olhos postos no firmamento
O sol brilhando por dentro
Inspiro os sons da alvorada
Suspensa no tudo que é nada.

Devaneio preenchendo o vazio
Com a ternura que desfio
Conta a conta, escondendo
o abraço do infinito tormento.

Sorris, com a lua no olhar,
Com alma que sabe a mar
E toque de quem se perdeu
No prazer que foi meu.

Acordo, liberta do prender
Na maresia do amanhecer
De mãos dadas ao destino
Que de ti fez meu peregrino.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fantasmas



Encontro na névoa adormecida
Os sonhos dispersos
Que me aconchegam a alma
E acariciam as lágrimas
Que caiem sem permissão...

A dor lacinante que se alojou no peito
Esconde-se no recôndito do meu ser
Ao raiar ténue da aurora,
Aguardando o manto protector da noite
Para emergir das trevas,
Uma, outra e outra vez...

A dúvida comanda o ser e o porvir
Enquanto fantasmas efémeros
Iludem a razão, ganhando vida
Nas sombras onde habitam.

Outrora era o sonho,
A génese do nada, a esperança
Que a noite estrelada
Subjugaria o negrume do breu ...

Esta noite sou tudo o que resta,
Perdida em busca do prazer
Mesquinho e perverso de quem
Ousa acreditar no amanhã.

domingo, 28 de novembro de 2010

Letras de Sangue....



Folheio a vida sem pressa.
Cada página revela mistérios ocultos ao olhar desatento ou à mente incessante que focaliza apenas o amanhã.

Folheio a vida redescobrindo-me a cada nova palavra impressa em mim, a cada fragmento do passado que perdura na memória,  a cada gravura que tatua a alma, nas letras de sangue que se perpetuam em folhas que o respirar de outras vidas faz virar...

Folheio a vida que me embala abraçando outros livros, contando histórias reais cujos finais não têm fim, pois a caminhada continua...

Nem tudo faz sentido, mas o doce violino aconchega-me e continuo a folhear, ávida de vida, ávida de mim.....

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nas tuas mãos...



Olho através da janela
Alma marejada de lágrimas
Contemplando o
Céu estrelado,
O breu da noite
Invade o meu sentir
Envolvendo-me
Em desespero
Num doce abraço.
As grilhetas
Magoam-me os pulsos,
As paredes nuas
Que me rodeiam
Carecem da tua cor,
Gritam pelo calor
Que negaste….
Está nas tuas mãos
Libertar as minhas,
Está no teu sangue
Dar vida ao meu,
Está na tua alma
Acalentar o meu céu…
Está nas tuas mãos…

domingo, 8 de agosto de 2010

Cacos...





Apunhalaste o sorriso límpido e puro
Que brotava do meu coração,
Como se de um espelho
Amarelado e antigo se tratasse,
Carcomido pelo tempo e repleto
Apenas de memórias……

O espelho quebrou-se
Em mil pedaços que jazem a meus pés,
E contemplo nos cacos
As lágrimas preenchidas
De incerteza e amargura…

Transformaste  um dia perfeito
Num céu cinzento e escuro,
Agoirando uma tempestade sinistra
Que se mantém vigilante,
À espera.....

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Crepúsculo



A lua serena
Inunda-me os sentidos
Envolvendo-me num
Estreito abraço
Que perdura além
Do toque de pele
Num momento surreal.
Alcançam-me
Vozes e sussurros
Que vagueiam ao longe,
E eu digo que sim
Sem convicção,
Mas sinto-me 
Encarcerada no tempo,
Algures num plano
Indistinto que
Me capturou
Num perpétuo acordar.
As palavras sucedem-se,
Frases desconexas
De quem teme acreditar,
Pensamentos que se prolongam
Num fio desordenado...
E a mim, parece-me
Que a madrugada
Tarda em chegar
Neste sonho ambíguo
Em que os corvos voam
Num crepúsculo eterno...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ponto


Tudo se resume a um ponto.

De interrogação ou dúvida,
De exclamação e júbilo,
De paragem no tempo
Deixando o coração suspenso
E a imaginação livre
Para vogar rumo ao nada
Que o silêncio seduz....

Ponto de passagem rumo ao destino,
Ponto de encontro e desencanto,
Ponto que preenche o vazio
Deixado por sinfonias de um
Passado incompleto.....

Ponto final. Ou talvez não.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Encruzilhadas


Os pratos da balança nunca estão equilibrados por muito tempo. Movem e alternam-se consoante a maré, os astros, o humor ou o irrelevante. É impossível prever o que se segue, ou para que lado vai soprar a aragem, e ainda bem, pois de contrário significaria que a minha vida se tinha tornado demasiado monótona para ser vivida.

E saboreada.

Lenta e pausadamente, degustando sorrisos doces e recordações salgadas, euforias picantes e contemplações lânguidas, ânsias incompletas e plenitude… Este é o ciclo eterno que faz de nós aqueles seres únicos e especiais que almejam a lua; somos a soma de derrotas e vitórias, de receios e encantos, de desejos e frustrações.

E para adicionar aquele “je ne sais quoi” à ínfima porção de alma que ainda se mantinha serena, a vida é ininterruptamente feita de escolhas, de um extremo ao outro... À medida que avançamos é-nos incutida a importância da “decisão” nos mais variados meandros, de tal forma, que frequentemente a vida se assemelha a uma sequência de cruzamentos e rotundas ao longo de um percurso com variantes e alternativas infinitas.…. 

Frequentemente sonho acordada e lamento não podermos deslocar-nos no espaço temporal… Nunca saberemos se algures no passado tivéssemos optado por “virar no segundo cruzamento à direita”, estaríamos a viver uma realidade completamente diferente. O pior é quando nos faltam as palavras, ou não se age impensadamente naquele momento certo que pode nunca mais voltar…..

As eternas encruzilhadas não são, só por si, um problema. O problema materializa-se quando algo continua a bater à janela ou a insinuar-se nos sonhos de mundos alternativos e coloridos, que dão vontade de experimentar nem que seja apenas por uma única vez (mas quem é que eu estou a querer enganar, uma única vez????)… A razão tenta considerar irrelevante o que lhe suscitou a atenção, mas não há regra matemática ou pensamento filosófico que lhe valha durante muito tempo. 

Podem decorrer um, dois, ou dez anos…… A cada reencontro o tempo pára e recua, e o mesmo se sucede, uma, outra e outra vez…. Dez anos é muito tempo para um coração palpitar discretamente….. Até um dia. Ou se descobre que se viveu numa ilusão, ou se avança para o lado de lá do espelho.

E continua a marcha, até à próxima rotunda. 

domingo, 4 de julho de 2010

Verdadeiro Mundo



Sim, de mãos dadas ao infinito 
Que os meus olhos abraçam,
Contemplo o mundo
Com um novo sorriso…
O meu verdadeiro mundo.
Na lágrima que me
Acaricia o rosto unem-se
Fogo e água, qual
Esboço de sonhos, qual
Possível certeza, qual
Aforismo que nos persegue
Escondido nas sombras da lua,
Noite após noite,
Receoso que o amanhã
Deixe de fazer sentido
Na génese  impulsiva
Que me consome…
Da fogueira libertam-se ondas
De sol, lua e mar,
Preenchendo  passado e presente,
Desenhando o nosso futuro
Na tela de aguarelas que pintas
Com o teu olhar e o teu sorriso...
Sim, de mãos dadas ao infinito
Sinto o bater do teu coração
No som ritmado que ecoa em mim…
No nosso verdadeiro mundo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O que bebes?

A música longínqua pincela as paredes como se brincasse numa tela perdida, concentrando cada olhar errante na memória de um reconhecimento de algo há muito roubado. Avassalam-me as notas reverberantes que me invadem, e sustentam o olhar perdido que se reflecte no outro lado do espelho… A melodia penetra a barreira que simultaneamente me isola de um mundo de marionetas com o qual não me identifico, e impede a revelação da minha verdadeira luz…

Fecho os olhos sussurrando os acordes que pulsam em meu redor e viajo para longe, para cima, rumo a uma dimensão que nunca ousei descobrir… Talvez porque nunca se me tenha deparado a oportunidade de  cruzar as suas portas ou não tenha surgido quem me acompanhasse…

E repentinamente, enquanto divago nas ondas de um mar adormecido, surges como se o cruzar dos nossos caminhos fossem um acaso fortuito do destino. Olhas em sentido oposto, fingindo não me ver, mas algo discreto se evidencia, expectante….. Entre nós encontra-se um abismo que ora se fortalece ora vagueia através da bruma….  Murmuraras suavemente: “Diz-me meu Amor, o que é que bebes?”

Continuo a falar, mas não te transmito os pensamentos que passam velozmente pela  minha mente ... Para onde me fugiram as palavras?????  
Como hei-de expressar que bebo o teu perfume, o teu olhar, o teu carinho, bebo o som doce da tua voz e o teu sorriso porque de momento não posso embriagar-me senão nos meus sonhos, apenas para  te ouvir dizer: “Diz-me meu Amor, o que é que bebes?”

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Talvez...




















Talvez….
O amanhã que esqueci
Me encontre,
E o sonho perdido
Se recorde
De quem eu era…

Talvez…
O passado adiado
Desperte algures
No desejo inocente
Que desconhece
O destino
E vive somente
O presente…

Talvez…
Seja o teu sorriso
Que me confunde,
E o delírio
Abra as asas
E voe exultante
Rumo á Liberdade…

Talvez…
Não exista
O para sempre,
Mas o momento
Que me abraça
Cintile no teu olhar…

Talvez…
Apenas talvez…
Percorra a vereda
Rumo à falésia
E admire o luar
Que me acalenta
A alma…

E aí sim,
Talvez…
Me funda
Com a madrugada…