segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desnuda


As folhas das árvores
Pintadas de vermelho
Choram com o céu,
O Inverno aproxima-se
Com um suspiro gelado,
Que despe a realidade
De certezas,
Deixando inquieto
O sono dormente
Que se apodera
Do tempo vazio.
As árvores desnudas
Expostas à intempérie
Aguardam silenciosas
O porvir sedento
De vida, numa litania
Muda, expectante,
Pejada de imagens
Que se sucedem,
Ambíguas, carentes,
Sequiosas do calor
De um reencontro.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Néctar



O néctar de Baco desfaz as cortinas de névoa que ofuscam a essência do ser… Revela o brilho que irradia do sorriso enigmático que me envolve … Coloca ao meu alcance o possível e o impossível, o real e o desejo, o sonho e a volúpia…

A noite ganha outras cores, o negro reveste-se de mistério e encanto, aquecendo-me…

Brado à chuva e ao vento rodopiando de braços abertos, ascendendo ao infinito no teu encalço.

Quando, inebriada, estou prestes a afagar o teu rosto, a visão esfuma-se devolvendo-me à realidade insípida da distância…


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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Murmúrio...



Um murmúrio salgado chama da escuridão, insinua-se em toques subtis dançando sob a luz vermelha.

A chama devora a película revelando a intimidade da cor, a sofreguidão da pele, a vida no olhar.

Naquele momento, a alma sacia-se perdida do tempo, a teia brilha, aconchegante, envolvendo memórias e presente.

O murmúrio intensifica-se ressoando na imensidão do sonho:

Ela deixou de estar só...


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