quarta-feira, 30 de julho de 2008

Fantasia


Nas brumas setentrionais da maresia
Reluz o ocaso que se afasta,
Ofusca a neblina que se arrasta
E nos faz emergir na fantasia.
De olhar vagueando no espaço
E asas impacientes por voar,
Salto para o infinito do teu olhar
Querendo perder-me no teu abraço.
Mergulho no vazio da imensidão
Querendo encontrar significado
No coração que jaz inanimado
E estremece em convulsão.
A tua voz já não me aquece
O teu toque já não me desperta,
Sangra em torrente a ferida aberta
Pelo teu desinteresse.
Esperas agora recuperar
O que foste deixando morrer,
Mas é já tarde para preencher
A solidão que ocupou o teu lugar.
Resta-me abrir as asas e fugir
Para o meu mundo encantado,
Onde a minha vida tem significado
Mas tu não consegues existir....
Começo a colorir a realidade
Para que o amanhã faça sentido,
Falta-me o amor perdido
Para restaurar a felicidade....

segunda-feira, 28 de julho de 2008

III - Mensageira de Incertezas

Toda a família aguarda já impacientemente reunida em redor da grande mesa do Salão. Todos se encontram eufóricos e ao mesmo tempo ansiosos, pois passaram-se algumas semanas desde que tiveram notícias de Blackborough pela última vez. Sente-se no ar o ambiente de expectativa...

As estradas têm sido muito mal frequentadas nestes últimos tempos. Os mercenários e os ladrões abundam pelas tabernas e bordéis, sempre dispostos a oferecer os seus serviços aos homens sem escrúpulos e de carácter dúbio, que não têm pudor algum de abdicar de umas centenas de moedas de ouro para ganharem posse de algo, ou fazer evaporar uma personagem que se torne inconveniente aos seus objectivos.

Embora o Túath de Bhile seja considerado minimamente bem protegido, não seria possível de momento garantir a completa segurança da população, dos bens, das casas e dos animais. Blackborough estava a atravessar uma fase problemática com a morte do Lorde do Túath. Lorde Pádraig "O Juíz" como era conhecido, proporcionava a estabilidade e a segurança de que o seu povo necessitava.

Neste momento, com o filho varão ausente por tempo indeterminado numa demanda desconhecida para a maioria da população, a fantasia do povo levava a melhor, e contos cheios de personagens fantásticas e objectos mágicos faziam o deleite dos contadores de histórias. Oh, como as famílias aguardavam o final da jornada de trabalho, para se sentarem junto à lareira a seguir à ceia, e ouvir as fábulas e as histórias fantásticas das personagens de outros tempos.... Ou talvez não....

Talvez a misteriosa demanda de Ionatán, e a beleza estonteante da indomável e efusiva Abaigeal façam sonhar os aldeões... Todos desejavam estar longe das preocupações do dia a dia, numa busca impossível de ser realizada, a combater dragões e feiticeiros amaldiçoados, enquanto a sua irmã de personalidade felina e cabelos de rubi assumia o controle do reino e lutava para manter afastados os caçadores de fortuna....

Abaigeal solicitou a Miriam a sua companhia durante umas semanas, pois aquele castelo sem outra presença feminina durante tanto tempo seria insuportável. Era necessário coordenar a construção de um novo edifício, contratar construtores, negociar pagamentos, enfim.... Uma quantidade infindável de tarefas que nunca conseguiria levar a cabo, se não tivesse ao seu lado a sua grande amiga de tempos imemoriais. No entanto, e apesar de todo o empenho, a competência e o vigor com que Abaigeal se dedicava à gerência dos assuntos do reino, a população sentia a falta de uma presença masculina. E isso era preocupante...

terça-feira, 22 de julho de 2008

II - O reencontro

Vários minutos decorrem até que Daigh se levanta, dirigindo-se lentamente para a porta do Salão, como se uma ligação invisível o guiasse. Quando está prestes a chegar, as portas rústicas em madeira maciça abrem-se de par em par, e uma misteriosa dama envolta numa capa de viagem molhada, faz a sua entrada.

No instante em que Miriam coloca os pés na sala, todo o ruído cessa subitamente. Os olhares estão postos naquela esbelta figura que surgiu do meio da tempestade. Ela baixa o capuz da capa, deixando admirar o seu fogoso cabelo encaracolado e os seus lábios carmim esboçam um sorriso enigmático na direcção de Daigh, que entretanto a alcançou.

-Estava preocupado com a vossa segurança. Nestes dias conturbados as estradas de Bhile deixaram de ser seguras. A vossa viagem correu sem sobressaltos?

- Sim querido Daigh, a viagem foi calma. Já estou a cavalgar há sete horas, apanhei a tempestade no seu auge nas imediações de Moonglass. As veredas estavam quase intransponíveis. Estou exausta meu tesouro.... O que me assegurou o retorno a salvo da intempérie, foram os excelentes corcéis com que me haveis presenteado...

Daigh segurou carinhosamente as mãos de Miriam, e levou-as aos lábios com ternura. O sorriso de Miriam resplandesceu, e os seus olhos de jade reluziram de paixão. Dir-se-ia que o resto do mundo se tinha pura e simplesmente evaporado, e existiam apenas os dois à face da terra, naquele lugar e naquele momento. Ficaram em silêncio vendo-se um ao outro no espelho das lágrimas de felicidade pelo desejado reencontro.

A família começou a aproximar-se para cumprimentar a recém-chegada, pois todos estavam ansiosos por saber novas de Blackborough.

Miriam e Daigh encolheram os ombros, entreolham-se e sorriem suspirando. A noite será ainda longa, e terão de aguardar umas horas até poderem finalmente cair nos braços um do outro.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

I - O inicio de um conto de outras epocas

Os raios rasgavam o céu ininterruptamente. Os trovões sucediam-se sem interregnos. O céu cor de chumbo, ameaçava eclodir num dilúvio a qualquer momento. O vento uivava ameaçadoramente, fazendo oscilar os antigos carvalhos, agitando as suas folhas e fustigando os seus ramos.

O ambiente no Salão Nobre estava quente, devido à lareira acesa, e as conversas estavam animadas pois o mead corria abundantemente das torneiras do tonel, para as canecas sôfregas e vazias... Reinava a boa disposição naquele ambiente informal, e apurando a audição, ouvia-se a harpa a ser habilmente dedilhada por Flann, o Bardo. Aquele músico era realmente excepcional. Dir-se-ia que falava com a nossa alma através da sua harpa, e emocionava a plateia até a levar ao êxtase, tal era o empenho com que tocava. Viamo-lo enlevar-se e deixar-se absorver com paixão na sua música, e com ele, viajávamos para onde o nosso coração desejava ir...

O crepitar da madeira em combustão era apenas apreciado por um belo jovem de seu nome Daigh, que contrariamente à multidão em geral, estava sentado em frente à lareira, absorto a ver os toros de madeira a serem consumidos pelo fogo. À primeira vista poder-se ia dizer que dormitava, mas após um segundo olhar notam-se-lhe os olhos semicerrados.

De compleição serena, este jovem tem uma presença muito forte, e apesar da tenra idade sente-se o poder de comando que dele irradia sem que se aperceba. Se algum dia chegar a ser um Líder, terá certamente o apoio incondicional de todos os que o acompanhem, e será lealmente seguido até ao extremo.

O cabelo castanho ligeiramente ondulado emoldura-lhe o rosto de traços másculos e perfeitos. Tem os olhos de sua mãe Lady Isleen, e não há vez que não se olhe ao espelho, que não veja o rosto da sua mãe a reflectir-se neles... As dificuldades pelas quais passou amadureceram-no demasiado cedo, mas transformaram-no num jovem com carácter, amigo do seu amigo, com um sentido de honra acima do comum, e no entanto doce e atento a tudo quanto o rodeia.

A alegria contagiante em redor de Daigh continua, e ao canto do Salão os efeitos do mead abundante começam a fazer-se notar, pois um jovem casal alegre sobe para cima da mesa de madeira e começa a dançar, sob os vivas de incentivo da plateia. Daigh suspende por momentos a respiração. Um ligeiro sorriso perpassa-lhe os lábios finos, e discretamente faz sinal a um criado para que se aproxime. Um breve conjunto de ordens rápidas são proferidas em voz baixa ao servo, e Daigh volta novamente à contemplação do fogo cujo clarão lhe ilumina a face esbelta.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Luz



Vinda do nada, surge a luz
Inebriante que me preenche os
Sentidos e me faz pulsar de vida!
Escuto os murmúrios inaudíveis,
Apago as centelhas de calor humano,
Despejo a minha alma e desesperadamente
Procuro começar de novo.
A paz que busco incessantemente
Relampeja ao longe, audaz,
Atenta às minhas quedas e recomeços...
Tudo à minha volta me incita em buscar
Sonhos perdidos que me tragam liberdade...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

All I Need

video


All I Need

I'm dying to catch my breath
Oh why don't I ever learn?
I've lost all my trust,
though I've surely tried to turn it around

Can you still see the heart of me?
All my agony fades away
when you hold me in your embrace

Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Give me something I can believe
Don't tear me down
You've opened the door now, don't let it close

I'm here on the edge again
I wish I could let it go
I know that I'm only one step away
from turning it around

Can you still see the heart of me?
All my agony fades away
when you hold me in your embrace

Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Give me something I can believe

Don't tear it down, what's left of me
Make my heart a better place

I tried many times but nothing was real
Make it fade away, don't break me down
I want to believe that this is for real
Save me from my fear
Don't tear me down

Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place
Don't tear me down for all I need
Make my heart a better place

Give me something I can believe
Don't tear it down, what's left of me
Make my heart a better place
Make my heart a better place

Sinto falta...


As feridas parecem não querer fechar
E o coração quebra-se em mil pedaços...
Sinto falta dos teus ternos abraços
Que me acolhem como se o mundo fosse acabar...

As cicatrizes que a tua indiferença causou...
O vazio tomou conta do meu ser
E eu procuro algo para o preencher,
Mas mergulho apenas na solidão que restou.

De olhos melancólicos e vidrados permaneço,
Um mar de lágrimas teima em querer explodir,
O coração bate mais rápido, parece querer fugir,
Eu olho para o presente e esmoreço...

Tento reanimar o meu eu despido,
Quero desaparecer e ao passado voltar,
Para tu me voltares a descobrir e amar....
Eu necessito que a minha vida volte a fazer sentido!!!

domingo, 13 de julho de 2008

Incógnita


Uma suave melodia ecoa pelo castelo. O dedilhar rítmico aumenta numa intensidade crescente, e as notas parecem ganhar vida própria. Esta música coloca todos os meus sentidos em alerta, e eu extasio-me com a mensagem e beleza que aquela melodia me transmite, e com as recordações adormecidas que surgem na minha mente.

Nunca hei-de esquecer o preciso segundo em que te vi pela primeira vez... O teu doce olhar fixou-se no meu, e cativou de imediato a minha ternura. O tempo parou naquele instante, e aquele momento gravou-se de forma indelével no meu coração. A partir daí, passámos a fazer parte um do outro. Não sei por quanto tempo nos olhámos, mas tive a sensação que tinhas visto nos meus olhos, todos os segredos da minha alma, de tal forma me senti deslizar e enlear-me no teu ser.

O tempo retomou o seu ritmo vagaroso, e presentemente és apenas uma terna recordação. Quis porventura o destino unir-nos com um propósito que me é desconhecido. Talvez tenhamos que ensinarmos ambos, algo um ao outro. São demasiadas as questões que preenchem o meu intelecto, e sinto-me a viajar em direcção ao passado, à medida que oiço aquela melodia.

Descargas de energia percorrem todo o meu corpo, e recordo-me de como me fazias sentir... Oh Deusa, que saudades de me sentir viva novamente! Porventura alguma vez negar-me-ia a ser preenchida pelo Amor, se soubesse que esse amor me iria causar sofrimento? Jamais!

Começo a dançar ao sabor da música.... Deixo-me embalar.... Assim me deixo levar pela vida..... O passado é uma terna recordação, que guardo com carinho no meu coração. Mas o futuro, esse, é uma incógnita....

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Passeios na Floresta


As folhas das árvores sussurram suavemente os teus desejos. A doce aragem rodeia-me, transmitindo-me os teus pensamentos.

À medida que caminho pela clareira de olhos fechados, oiço o crepitar das folhas debaixo dos meus pés, e o alegre chilrear dos pássaros que esvoaçam à minha volta.
Apuro os sentidos e concentro-me: oiço ao longe um regato irrequieto que canta as maravilhas da natureza compondo uma sinfonia magistral.

Ahhhhhh...... A beleza do momento..... A perfeição do ocaso que ilumina este ameno anoitecer de Outono... O contemplar os infinitos detalhes de tudo o que me rodeia, e o capturar a verdadeira essência... As sensações atingem-me como bátegas de chuva incessante, e rodopio num furacão de percepções...

Entrego-me... Deleito-me com este "agora" e bebo avidamente da vida que me é oferecida. O calor e aconchego que as folhas tingidas de vermelho me proporcionam, transportam-me para as chamas da lareira do castelo, que crepitam furiosamente à espera de percorrer o firmamento para que duas metades da mesma alma se encontrem.

Os passeios na floresta apaziguam o fogo que arde impiedosamente no meu peito. As lágrimas de sangue que brotam dos meus olhos evaporam-se, à espera de te encontrar. Não sei quem és, mas aguardo o nosso reencontro...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Reflexo



Vejo-me ao espelho, não reconheço quem sou... Não reconheço os olhos que me olham do outro lado... Onde está o brilho no meu olhar? Onde está o fogo que transbordava? A alegria que eu emanava? A alquimia que transmutava?

Vejo-me ao espelho, e deparo-me com tristeza, com uma inquieta certeza, com uma crónica melancolia... Vejo a resignação com que vivo dia após dia, e o meu coração exige e afasta a solidão! Tenta em vão encontrar o calor, mas depara-se apenas com a escuridão...

Vejo-me ao espelho, e vejo-me realmente como estou, sem véus, sem ilusões, sem mentiras.... Vejo-me nua e crua, com todos os meus defeitos e todas as minhas virtudes. Analiso-me à lupa do microscópio, e mesmo que me disseque e retire as várias camadas que fui criando para me esconder, continuo a conseguir ter um difuso vislumbre do brilho de outrora, que permanece adormecido. Não, não está perdido o resplendor de outrora, apenas jaz a meus pés, inconsciente, letárgico, à espera de um toque de magia que me ressuscite de novo para a vida.

Vejo-me ao espelho, semicerro os olhos e vagueio inconscientemente pela minha mente. Desta vez consigo vislumbrar uma centelha de brilho, que tremeluz debilmente e teima em não se apagar. Mantêm-se como uma brasa, à espera que o ar faça entrar em combustão, o fogo que jaz adormecido na braseira.

Vejo-me ao espelho, e sorrio... Fecho os olhos e sinto um toque leve, fresco, a acariciar-me a pele. Saboreio a paz que começa a aquecer o meu ser... Lentamente a minha visão percepciona uma outra luz débil ao meu lado, adormecida, pulsando a vida latente. Olho à minha volta, e constato que não estou sozinha na escuridão. Uma centelha ilumina a outra, e juntas caminham lado a lado na escuridão, em direcção à luz.

Inquietude



Os arrepios que me percorrem a pele deixam-me estática. O meu corpo grita de revolta, reagindo à indiferença que preenche o vazio dos meus dias.
Lá fora, a lua brilha no céu, acariciando as árvores e infundindo-lhes frescura, com a sua luz etérea. Eu abro a porta e fico a contemplar o céu estrelado, aguardando que um resquício de força da minha atormentada alma, consiga levar-me a dar em frente o passo que me falta.
A magia no ar envolve-me e eu invoco-a como se mais nada existisse no universo. Apenas eu e a Deusa... Sinto vibrar cada fibra do meu ser, o meu corpo clama por liberdade, a minha alma luta para se libertar da vida em que a aprisionei.
O luar inunda a paisagem, mas não me toca. Como se eu não existisse ou não estivesse preparada. Oh Deusa! Porque é que tudo tem de ser tão difícil?
O meu coração sangra de dor, encolhe-se retorcido e amachucado. Pulsa suavemente, à espera que o infundam de vida e alento, à espera que o verdadeiro AMOR, o faça novamente bater como se não houvesse amanhã.
Eu olho para a lua que me abraça, e desejo...... desejo..... A minha alma está oca e vazia, nada a preenche... O coração insatisfeito e inquieto não descansa. E eu olho para a lua e fico à espera........ À espera...... À espera de ganhar coragem para me libertar..... À espera que a vida volte a fazer sentido...... À espera de mim própria.....

Crepúsculo Perdido


A chuva cai ininterruptamente lá fora
Nesta noite plúmbea e sombria,
Anseio pela tua doce companhia
Preciso de ti sem demora….

Fecho os olhos e estás na minha mente….
Sinto os teus lábios ávidos a acariciar
A minha pele sem pressas, a procurar
Fundir-se com os meus… Desejo ardente

Renasce em mim com o calor do teu olhar,
Iluminas as minhas estrelas, és o luar
No meu mar de sonhos reflectido ….

Contemplo o crepúsculo perdido
Na esperança de que a saudade
Dê um dia lugar à liberdade…

Emerald Eyes

I awake in the morning, and there’s you,
Right beside me, you gave me the tender
That I never dreamt of, I believe you’re the sender
Of my dreams, so that you can make them true!

Your words are music to my ears
And my heart pounds each time you go away,
I’m not complete without you…. Stay
And feel my heart, my love, my tears…

The moon smiles and spreads her light
Blessing us with her mistery,
We are her stars at the twilight!

Your emerald eyes bring me to your fantasy….
Awakening my wild spirit tonight,
I just know, you and me, we are meant to be!!!

Eyes of Wisdom


Hear the wind whispering through the trees,
Take a deep breath, hear the birds singing…
Close your eyes… The children are laughing…
Caress the flowers and fly on the breeze…

The forest is alive in me, what a delight
Reaches my soul, the stars and the moon
Keep shining, the sun will rise soon
Joining the eagle on it’s flight…

Barefoot, I run in the wild. Freedom….
A wolf comes to me, a gift as a treasure
With it’s shining eyes of wisdom…

We hold a candle of hope, announced pleasure…
Light the fire side by side, mother and son
Smile, as we found the right measure!

Desesperadamente


Relembro-me dos velhos tempos
Em que éramos felizes e inconscientes,
Vivíamos de estímulos loucos, frementes,
Corríamos e voávamos ao sabor do vento...

O resto do mundo parava, não existia,
O risco e o perigo eram o melhor estímulo,
Existia entre nós o especial vínculo
Que tudo nos autorizava e permitia...

Mudámos, crescemos, mas sinto a tua falta,
Necessito de algo, desesperadamente,
Preciso de ser o teu mundo, da tua atenção,

Eleva-me novamente à antiga ribalta,
Volta de novo, insaciável, terno, ardente,
Quero contigo redescobrir a paixão...

Reerguer


Voar para bem longe é meu desejo,
Voar para onde nunca tenha estado,
Voar para onde nunca tenha morado,
Voar para onde nada ou ninguém vejo.

Desaparecer, isolar o mundo
Para que ele aprenda uma lição,
Para que ele aprenda a ter compaixão
Elevando as emoções ao profundo...

Quero testemunhar o reerguer
De uma grande e feliz humanidade,
O Ser com vontade de viver...

Enche-te Terra de felicidade
Para nunca ninguém mais sofrer...
Enche-te Terra de fraternidade...

Perdão


Jamais saíste do meu pensamento,
Tenho saudades do teu doce olhar,
Da tua maneira de perdoar,
Do teu valor, do teu empenhamento...

O meu coração enche-se de dor
Pela lembrança dos males que fiz,
Do atroz sofrimento que nunca quis
Infligir-te, meu pai, meu protector...

Poderás perdoar-me algum dia?
Já não posso agora falar contigo,
Tenho este peso no meu coração,

Enche-me de tristeza, de agonia...
Adiantará tamanho castigo,
Se já não te posso pedir perdão?

Sou a Única

Sinto bater nos meus pés a espuma
Da maresia que me fascina,
Sinto os raios do sol que me ilumina,
Sinto o calor a dissipar a bruma...

Olho para o meu lado e és aquele
Que sempre me tem acompanhado,
Que me afaga com todo o cuidado,
Que me ama sem agravo nem apelo...

Olhas-me nos olhos, parecendo
Que sou a única mulher que te completa,
E adivinha os teus secretos desejos...

Adoro-te, e fazes-me feliz vivendo
Esta paixão tão singela, tão repleta
De emoções, tão doces teus beijos...

Tensões


O teu coração junto ao meu palpita
Com a emoção de me abraçar,
De com o meu corpo te falar,
Mostrando a grandeza infinita

Que é o nosso amor... Em ti me perco
Para em ti me encontrar, deslumbrada
Com a pureza do teu coração, extasiada
Na limpidez do teu olhar terno...

Aceitas-me como sou, arrojada,
Talvez por vezes tresloucada,
A vibrar com todas as emoções

Dentro de mim, são muitas as tensões
Que em conflito tentam fugir..
Só quero ver os teus lábios sorrir...

Insinuações

Imagino-te por entre as nuvens,
Vives por perto, insinuas-te,
Aguardo que realmente te aproximes,
Que na verdade me digas
Se só me queres enlouquecer, ou
Elevar-me a algo transcendente...
Elucida-me acerca dos teus desejos,
Quaisquer que sejam...
Vislumbro-te... Inebrias-me...
Esqueço-me de tudo o resto...
Afagas-me com o teu olhar
Repleto de enigmas e mistérios,
Irradias sedução e rodeias-me
Erguendo algo invisível...
Brincas com as brasas
De uma fogueira que pode degenerar em
Vivo incêndio, e depois? Quem o apaga?
Ornamenta-se o altar, adensa-se e
Ganha forma a imensidão do vazio.
Ascendo a outro nível, flutuo acima
De um mundo que pouco ou nada me diz,
Inebrio-me num mundo de sensações...
Éden ou Hades, onde irás levar-me?
Rios de dor perpassam a minha alma...
Emerge, anda, flutua, voa, mas vem...



Aparição


A luz surgiu, livre, incontestável,
O meu cérebro iluminou-se,
O maravilhoso concretizou-se
E eu apercebi-me...Impensável!

Grandioso o dia em que o teu amor
Tomou conta de mim, envolveu-me
E vencendo a batalha deu-me
A maior felicidade com resplendor.

As utópicas ilusões se desvaneceram
Dando lugar a uma forte certeza:
És o homem que eu quero ao meu lado!

Os meus sentimentos renasceram
De uma forma brutal e coesa,
És o meu romântico cavaleiro alado...

Desejo sem Malícia


Fecho os meus olhos, imagino-te ao meu lado,
Queria não um sonho, mas uma imagem real...
O sol resplandece em mim sem igual
Através do calor dos teus olhos, que pecado...

Mas acordo e não te vejo, nunca exististe...
Oiço um suave sussurro, qual carícia
Para a minha alma, desejo sem malícia...
Nos teus braços perco a razão, fugiste...

A quente brisa traz-me os teus beijos
Com sabor ao sal das ondas do mar,
Não te deixarei partir, meus ensejos...

Recuso-me à realidade de não te encontrar,
Idealizei-te mas não ouviste os meus desejos,
Resta-me esperar-te numa noite de luar...

Sorri


Sorri, lembra-te das coisas boas da vida...
Sorri, pensa em todo o amor que recebeste...
Sorri, imagina a pessoa para ti mais querida...
Simplesmente sorri, alegra-te pelo que viveste...
Quero ver um rosto repleto de candura,
Uns olhos brilhantes de emoção,
Quero ver-te exultar e sentir a doçura
Que está escondida no teu coração...
Sorri, lança para longe a amargura,
Deixa-te flutuar ao som de uma canção...
Sorri, embarca numa louca aventura
E sente aquela velha conhecida palpitação...
Chora, mas chora de alegria,
Emocionada com o carinho depositado em ti,
Deslumbrada com a estrela fugidia
Que teima em brilhar só para ti!!!
Chora, mas chora sem que o amor gele,
Não guardes para ti as tristezas...
Sente o roçar de uma rosa na pele,
Olha para a natureza com todas as suas belezas!
Vê todo o resplendor que tens ainda,
Toda a energia contida no teu ser,
Solta esse grito abafado, essa voz linda,
Rejubila e partilha o que tens para viver!
Sente a maresia, o florescer da primavera,
Sente as ondas, a areia, o mar,
Viaja e luta pela doce quimera
Que abandonaste e se esfumou no ar...
Simplesmente sorri, à lembrança de um desejo,
Sorri, à contemplação de um céu estrelado,
Repara como ele anseia pelo teu beijo
E rejuvenesce, por ti revigorado...
Simplesmente sorri, sem sombra de melancolia,
Há tanto para viver, há tanto para sentir,
Nunca é tarde para ver que um dia
Vale mais do que tudo o que está para vir...

Talvez um Dia

Alegre, no infinito
Que teima em despedaçar
O meu amargurado coração...
Amor... Há quanto tempo
Não me dás atenção
Que eu necessito...
Estás ao meu lado
Mas estás tão longe...
Há tanto em que pensar...
Há tanto que viver...
Há tanto, e o tempo é tão pouco...
A vida é curta demais
Para tudo de bom
Que a vida tem para oferecer...
Não queres dar o teu contributo?
Faz-me feliz...
Dá-me o que me tens negado...
Volta a ser o mesmo... Por mim...
Talvez um dia...Quem sabe...

Porto de Desejos


Apareces solitário por entre a bruma
Meu doce príncipe encantado,
Vens com teu ar enamorado
Sem medo ou malícia alguma.

Viajas na nobre e bela escuna
Que aportou no meu coração,
Lançou a âncora e levou-me a razão
Para longa de coisa nenhuma.

Nascem para ti todos os meus desejos,
Mas afastam-se as minhas ilusões
Sem se concretizarem...Olha para mim,

Ouve-me, adivinha os meus ensejos,
Une os nossos palpitantes corações
Para que o Amor perdure sem fim...

Luta Desconhecida


Estranho, distante e belo,
Nunca saberei o que te vai no coração,
Nunca provarei o teu amor de perdição,
Nunca partilharei o teu desvelo...

O que senti por ti, meu amigo...
Nunca saberás a luta que travei,
Nem imaginarás a atracção que dominei,
Na tua ignorância, fica comigo...

Instalou-se no meu ser a contradição
Que batalha ferozmente a minha vontade,
Aniquilar a galopante paixão

Que vai crescendo, que tempestade
Inunda o meu atribulado coração
Sabendo que irá restar só a saudade...

Caminho Desconhecido


A janela que se abre de par em par
Com vista para a imensidão...
Arde em chama o meu coração
Agora repleto de paixão! Amar...

Vejo-te como se fosse a primeira vez,
Afago com carinho o teu rosto
Arrepiando-me, sinto o teu gosto
A rodear-me como nada nunca fez...

Levas-me por um caminho desconhecido
Fingindo não me saberes guiar,
Trazes-me um sentimento nunca vivido

Bastando o teu sorriso para me alegrar!
Sinto o meu coração partido
Sempre que te vejo afastar...

Última Vez


Não quero esquecer a
Última vez que estivemos juntos...
Não quero lembrar-me o que
O futuro nos reserva...
Momentos bons que vão ficar
Inseridos na minha memória,
Guardados como recordação...
Últimos beijos, últimas carícias...
Estamos perto, mas logo, logo
Longe, tão longe quanto a imensidão
Gerada pelo oceano.
A melancolia invade-me, uma tristeza
Rodeia o meu dia-a-dia...
Como será sem ti por perto?
Imagino que te lembrarás de mim
Alegre, companhia agradável...
Recordar-te-ei com saudade, quero
Abraçar-te uma última vez.
Mesmo que nunca mais te veja na minha vida,
O teu sorriso será
Sempre a marca que me deixas...

Castelo


Milhares de emoções percorrem o firmamento
Vagueiam na imensidão do vazio,
Revelam os segredos de um coração vadio,
Vigiam um castelo sem tempo...

Ofusca a doce luz que alumia
A noite pérfida e segura,
Simples e complexa, tão pura
A revelação que entra em sintonia...

Foge desvairada a efémera razão
Mergulha na barragem, voa ao renascer
Libertando-se sem remorsos ou perdão...

Mil anseios vai a fénix reviver,
Exalando timidez e sedução
Deseja apenas cada minuto viver...

Espera


Aproxima-se a noite, o dia
Trouxe penas e saudade,
A magia que me invade
Preenche-me de tristeza e alegria

A devastadora melancolia
Aumenta a angústia por não te ver,
Sinto-me fraca, a desfalecer,
O corpo sofre em agonia...

Sinto a paixão que se apodera,
O pensamento que vagueia
O teu olhar que domina, impera,

Me hipnotiza e me incendeia,
Enorme se torna a espera
E o desejo me encandeia...

Êxtase

Uma palavra define sentimentos
Que preenchem a alma humana,
Ultrapassa a mediocridade humana
Criando mil e um encantamentos.

Amor... a palavra que une dois seres
Transbordando-os na alegria,
Enlaçam-se mais de dia para dia
Partilhando todos os saberes...

Amor... nada que se possa dizer
Transmitirá o que me vai no coração,
O sentimento que me enche de prazer

Extasia-me na felicidade da ilusão...
Leva-me para o teu mundo para me perder
Para sempre vivendo esta paixão!

Conquista



Alguém está constantemente presente sem
Que eu me aperceba, discretamente;
Visível na minha alma somente,
Estás sempre comigo, protegendo-me
Para além da minha sensatez...
Alguém me ouve, me auxilia sempre prestável,
Obtendo o meu insidioso amor da forma
Menos usual, mas mais marcante.
Arriscando o mais desejado amor, sempre
Atento às minhas necessidades e loucuras, abdicando
Dos teus próprios sentimentos, transformaste a
Efémera criança que desejava viver, e
Colocaste a mais valiosa e preciosa
Prenda, nas mãos de uma mulher que
Atravessou a barreira, para um mundo de felicidade.
Deixaste-me livre e ganhaste-me,
Estiveste ao meu lado e agora sou tua,
Amaste-me como amiga e a tua delicadeza
Seduziu-me sem hipótese de recusa...
Iluminaste a minha vida, essência
Lírica brota de mim como mel...
Acabei nos teus braços, apaixonada...
Ficando liberta de mim, ganhei o mundo...
Baladas de amor percorrem o meu rosto,
És o homem que me ensinou a viver: AMO-TE .

1998Nov08

Longe...


Liberto-me e viajo para te encontrar,
És a alegria que me ilumina,
Desprendes a luz que me fascina,
Contigo sei que vou sonhar...

Personificas as minhas fantasias
Nada meço, tudo esqueço,
Contigo tudo quero viver, nada peço,
Alegras o meu coração, os meus dias...

Afagas-me a face com ternura,
Onde estás? Não me permito a te perder,
Entre nós há algo que perdura.

Já não consigo assim estar a sofrer,
Longe, és para mim a aventura
Que vale a pena viver...

Vale a Pena



Lê nos meus olhos todo o meu calor,
Lê no meu rosto doce admiração,
Lê nos meus lábios a confissão
De uma mulher perdida de amor !

A minh’alma não conhece temor
Quando ao lado da minha paixão,
Encantas com terna sedução,
És o diamante com mais valor.

Vê o alegre riacho saltitante
Onde ecoa uma alegria de vida,
O teu terno sorriso exuberante

Destroi a dúvida mais aguerrida.
Ao teu lado meu ardente amante,
A vida vale a pena ser vivida...

1998Nov06

És Loucura



Livre, como a imensidão do mar,
Viva, como a chama da fogueira,
Assim me sinto, como a verdadeira
Jura de Amor consumada ao luar.

Acaricia-me, segura a mão
Que te suaviza o doce rosto
Cansado, não há possível desgosto
Que nos separe. És a ilusão

Transformada em pura realidade,
És desejo, és loucura, serás
Meu caminho para a felicidade.

O meu amor e ternura terás,
Seremos êxtase na eternidade,
No meu corpo e mente habitarás.


1998Nov08

E depois?



Não quero pensar em separação
De dois seres amados que morram,
Talvez ao ver, um para o outro corram
Radiantes, grande satisfação.

Saberás o meu nome se me vires
No céu ? Reconhecer-me-ás amor ?
E depois ? Ouvirás o meu clamor ?
Saberás amar quem tu ouvires ?

Mesmo separados neste mundo,
Abater-se-á um pesar profundo
Sobre este pobre coração atento,

És tu quem no céu me darás alento
Para continuar numa existência
Nova, diferente, pura vivência...


1998Abr05

Perdão



Tão triste é para mim este dia,
Sinto-me inquieta, atormentada,
Consegue deixar-me sempre irritada
A mãe que já me deu tanta alegria.

Eu sei que já a fiz muito sofrer,
Por minha causa já muito chorou,
Mas é passado, tudo já passou.
Até quando tenho de me arrepender ?

Até quando tenho de me redimir ?
Faço tudo o que posso para alegrar
Quem um dia enchi de sofrimento.

Querida mãe, quero vê-la sorrir,
Mas não me continue a castigar
A vida toda, por loucura de momento.

1998Abr05

Sinto por Ti



Sinto por ti aquilo que é indefinível,
Aquilo que é.......o que é.
É o que não consigo descrever,
É o que sinto.
Existe e é fogo que arde
Em meu coração,
Algo que me consome
Mas que eu quero que me consuma.
Algo que me descontrola e desconcentra
Mas que eu quero que assim aconteça.
Sinto por ti o que é indefinível,
O que eu sei que sinto, que quero sentir,
Porque sei que me amas,
Porque sei que me adoras,
E porque te amo muito também.


1998Abr03

Nosferatu



Interrompido à séculos, um amor
Perdido devido a humana traição,
Tanto sofreu aquele coração
Que negou a Deus e ao seu Salvador.

Um Nosferatu, cheio de poder,
A todos vai conseguindo encontrar
Com sede de sangue, vai matar
Até ao seu amor tornar a ver.

Êxtase, que desejo, atracção,
Luxúria, sedução tão selvagem...
Por aquele amor Deus vai perdoar

Mas para terminar a maldição,
Mina com amor ganha coragem,
Para salvar, o vai assassinar.

Lendas de Paixão



Quis o destino votar Tristão
A uma vida cheia de sofrimento,
Foi sempre sobrevivendo ao tormento
Numa existência de solidão.

Enamorou-se de quem o amava
Mas a fera dentro dele falou,
Abandonou a todos, viajou
Para amainar a fera que falava.

Seguiram eles diferentes vidas,
Susana infeliz, ele com família,
Lendas de paixão provoca Tristão.

Depois de tentativas falidas
Susana inicia a sua vigília,
Irá fazer parar o seu coração.


1998Abr03

Fonte da Juventude



Procurava o jovem Romeu a fonte
Que garantia a juventude eterna,
Queria ele salvar a sua terna
Dama da morte, percorria o monte

Na esperança da caverna encontrar.
Por veneno ia Julieta morrer,
Faria tudo para ela viver,
Sua vida estava disposto a dar.

Voltou ao mausoléu, desanimado.
Querendo uma última vez beijá-la
Assim envenenado morreria.

Tão forte o amor desesperado
Que a salvou em vez de matá-la!
Foi o amor, a “fonte” de alegria...


98Mar25

Escuridão



Ela vem rondar, aproxima-se,
De um pesado fardo nos alivia,
Com a sua natureza sombria
Corre a buscar-nos, anima-se

Abre-nos uma tentadora porta
Que pode levar à felicidade
Ou à tristeza, pobre a vaidade
Da lúgubre criatura morta.

Uns correm a abraçar a salvadora
Que os alivia de uma triste vida,
Finalmente Ter paz poderão.

Outros fogem da Morte tentadora,
Querem a vida de dor infligida
À inerte calma da escuridão.


98Mar25

Mundo de Amor



Abri os olhos, lentamente acordei,
Senti um vazio no meu coração
Forte, arrebatador como um trovão,
“És a minha razão de viver!”- Eu gritei!

Para a nossa fotografia olhei,
Separa um quente e vivo mundo de amor
Um imenso oceano, forte ardor
Que me impele para ti, desesperei!

Embora perto possas parecer,
A ausência do teu calor faz sofrer...
Tenho sempre em ti o meu pensamento,

Mas não acalma a dor nem sofrimento...
No ocaso, teu sorriso singelo
Torna a minha vida em algo belo...


98Mar25

D. Quixote



Cavalgava um intrépido cavaleiro
Para sua amada dama salvar,
Contra vilões irá sempre marchar
Seguido do seu fiel escudeiro.

Marcha contra todos o valoroso
É nobre Cavaleiro Andante,
Está condenado a vaguear errante,
Contra o irreal exército numeroso.

Anda D. Quixote buscando a prometida,
Vê ferozes gigantes em quedos moinhos...
Ao impossível dá forças o amor.

“ Minha Dulcineia, és minha vida!”
Tresloucado de Amor pelos caminhos
Vai proclamando a enorme dor.


98Mar23

Aventura



A noite estende o seu manto
Deixando o mundo na escuridão,
Só existia o ténue clarão
Das estrelas em todo o seu encanto.

Ali estava eu, só, à beira-mar,
Indo buscar doces recordações
De uma vida cheia de emoções
A teu lado, como te quero abraçar...

Passeio melancolicamente
E desenho-te no vasto areal,
Contemplo-te com imensa ternura.

Foi tão forte o meu desejo fremente
Que surgiste poderoso e imortal:
Cavaleiro e sua dama para a Aventura.


98Mar23

Titanic



Um navio ruma ao desconhecido,
Não sabendo que nesta viagem
Não lhe adiantará a coragem
De enfrentar o mar e seu bramido.

O jovem casal que nele se uniu
Para sempre, reencontrar-se-á
Um século mais tarde, viverá
Feliz no navio que submergiu

Pela catástrofe foram separados
Nesta efémera vida terrena,
Mas perdurará pela eternidade

O amor destes jovens condenados.
Nas ruínas, em profundidade amena,
Uniu-se enfim um amor de verdade.


98Mar22

A Força do Amor



Ia Diana a mais uma caçada,
Quando um raio perdido a atingiu
Transformando-a algo que não se viu:
Linda estátua, de Hades namorada.

No inferno, Hades se regozijava
Por Ter para ele aquela beleza,.
Mas para encher Hércules de tristeza
Fingiu que Diana dele se enamorava.

O pobre Hércules conta a seu pai Zeus,
A amargura do seu coração,
Venera a sua Deusa em silêncio.

Tanto chora o filho do grande Deus,
Que destroi a terrível maldição
Vivendo com Diana um amor intenso.


98Mar22

Separação



Separa-nos um gigantesco mar
Neste longo e infindável dia,
Não tenho a tua alegre companhia
Para me dar alento ou alegrar.

Olho para o céu e quero voar,
Quero saborear a maresia,
Inventar uma nova alegria,
Nos teus braços me quero aninhar.

Vejo o teu sorriso a cada momento
E sinto uma terrível saudade.
Que me enche o peito e o pensamento.

Sinto-me irreal nesta realidade,
Mas será breve o penoso tormento
Que me separa da felicidade.


98Mar21

Sonho



Sem te Ter a meu lado, não sei viver,
Estou desorientada, perdida,
Sinto-me pequena, desprotegida,
Não tenho ideia do que hei-de fazer...

Limito-me a vaguear, a sonhar
Com o momento em que te vou ver,
Com a felicidade que vou Ter,
Sonho, e fecho os olhos para não chorar.

Vejo a tua imagem pintada no céu,
O teu olhar é o sol que me aquece,
O teu sorriso é paz interior,

Delicia-se o coração meu...
A saudade não se compadece,
Sonho, e parto para perto do meu amor!


98Mar21

Um Dia



Desejo um dia poder penetrar
Numa das tuas lágrimas salgadas,
Percorrer nelas longas estradas,
O encanto do teu rosto observar.

Quero na tua pele deslizar
Senti-la agitar todo o meu ser,
Cada célula poder percorrer,
Na tua pulsação poder vibrar.

E quando se evaporar essa gota,
Me leve a alguma parte remota,
Não deixando nunca de te sorrir,

Para não deixar nunca de existir.
Posso assim ver-te com muita saudade,
Rejubilando de felicidade.


1998Mar03

Após Um Ano



Cada vez mais forte arde a chama,
Pulsa rapidamente o meu coração
Só de imaginar a aproximação
Dos doces lábios de quem me ama!

Desejo-te, meu corpo por ti clama!
P’ra mim, cada momento de paixão
Significa êxtase, criação
De um amor eterno, que não engana.

Após um ano, exulta minh’alma
Ao ver-te, surpresas, momentos nossos,
Mútua descoberta, as carícias...

Sou feliz nesta existência calma,
Embriagas-me! Gravado em meus ossos
Está já um nome: LUIS MELÍCIAS!


05Mar98