sábado, 30 de março de 2013

domingo, 17 de março de 2013

Face Oculta


A ponte permeia os mundos,
O rio une margens opostas
E nele mergulho, nos sonhos doces
Que despertam todas as noites
Quando a escuridão me seduz.

Não preciso que me recordem
Da luz que emana do core
Incandescente, que me conduz
Por entre a teia da vida, arte
Que perpassa ante mim.

Toco a face oculta do amor
Subjugada com a distância
Ausente do firmamento, prestes
A aquiescer ao desejo cru e
Inequívoco que ordena.

As cortinas púrpura do palco
Adejam languidamente,
Enquanto os holofotes renascem
Intermitentes, das trevas.
Eis-te, ao meu lado.

domingo, 10 de março de 2013

Silêncio...


Silêncio,
Por não inventar palavras
Que revelem a verdadeira
Dimensão da saudade….

Silêncio,
Que prossegue estático
Quando apesar do abraço
O espírito se sente incompleto…

Silêncio,
Quando o pensamento adeja
Num ápice vertiginoso
Desobedecendo-me cegamente…

Silêncio,
Que me acomete e subjuga
Sem solicitar consentimento
E se imortaliza no infinito…

Silêncio,
Essa afago melancólico
Que se detém no tempo
Ampliando o vazio…

Silêncio,
Meu oásis acolhedor
Que me sacia a vida
No meio da tormenta…

Sorrio neste silêncio,
Aguardando o devir.

terça-feira, 5 de março de 2013

Lírio



O lírio branco repousa no regaço ardente, alheio à intempérie que se adivinha ao longe. As mãos quentes acolhem-no numa adoração muda, enquanto olhos brilhantes o contemplam vibrantes de ternura e afeto.

Imagens surgem do nada, sucedem-se, reproduzindo histórias de um encontro pausado, lânguido, prenhe de sensações avassaladoras que ofuscam um presente já de si invulgar.

As mãos..... As mãos cujo toque é tão ténue e intenso que reverbera e se perpetua no âmago do coração enamorado...

O lírio, esse resplandece iluminando a noite do passado que ganha novos sonhos nas recordações do amanhã. Ele floresce a cada pensamento, exalando um aroma quente e subtil que se entranha na alma e alimenta a imaginação sem limites que o acolhe.

Lírio branco, pronto a receber as dádivas que sabe serem suas, numa entrega pura e sem reservas... A chuva alicia-o numa dança cativante,  fazendo ecoar pelos céus palavras doces, num sussurro perene.

O fogo consome, mas o gelo acicata o desejo. Assim eu te espero.