terça-feira, 3 de março de 2009

Oculto



O sol ofuscante brilha no deserto. Os elementos sucedem-se em harmonia vibrante, qual tesouro expectante, ansiando por ser descoberto.

O vento sopra irrequieto, e na sua dança graciosa afasta a areia que camuflava os mistérios. Palavras esquecidas surgem, qual aparição de contornos, impressa na pedra imutável.

A água serpenteante que alimenta o oásis escolhe o seu próprio leito, e corre atraída pela assimetria voluntariosa, pelo passado sobre o qual havia sido colocado um denso véu.

Os felinos adormecidos despertaram da ilusão, e o leão faz estremecer o solo a cada passo. Todos anseiam deixar-se conduzir pelas ondas de energia hipnótica, mas o receio aniquila os passos vacilantes de quem teme errar.

Podem soprar vendavais, formarem-se tempestades, cobrir-se céu e terra de lamentos mudos, oceanos conquistarem a terra ou o fogo consumir as árvores…

Visíveis ou invisíveis, os ícones indeléveis acordarão a cada visão, fazendo despertar o fogo do dragão que cruza os céus buscando a liberdade…

4 comentários:

Gothicum disse...

"Ao final da vida só nos arrependeremos pelo que não fizemos."
Zerbini


URÓBORO a serpente solar que reina nos céus, que comanda os alquímicos desejos e com o devorar da sua própria cauda devolve o retorno ao início das coisas. Hipnotiza o tempo da existência. Abraços

Ps: sentia falta das tuas palavras 

Frankie disse...

Voltaste em força!

Gostei muito :)*

Leto of the Crows disse...

O vento tudo revela, no seu soprar do oculto. Desde simples artefactos, escondidos sobres os milénios do tempo e do mundo, como segredos que só os deuses conhecem. É só saber escutá-lo ^^

Beijinhos!

Desnuda disse...

Eu adorei, Blood


Um beijo