terça-feira, 9 de setembro de 2008

Spiral Dance

As gotas de chuva
Percorrem a minha face
Enquanto o Outono desflora
A languidez da minha pele.
A lua brilha nos meus olhos
Inundando a minha alma,
Aprimorando cada sentido,
Cada sensação, cada êxtase...
O tapete de folhas rubras
Crepita sobre as minhas raízes,
Afasto-me em direcção ao nada
Que preenche os meus desejos.
Mergulho na profundidade da floresta...
Os salgueiros acolhem-me
Nos seus braços retorcidos
Embalando-me ao sabor
Da suave aragem que flutua
Nos recessos da minha mente,
Os meus ramos ondulam
Celebrando os Deuses Antigos,
Proclamam a sabedoria
Que os Homens tentaram desvanecer,
Os hinos ecoam nos meus ouvidos
Hoje, amanhã e sempre.
Eu sou a natureza perdida
O troar vibrante da tempestade,
O gelo que me aquece,
As trevas que sucedem
O crepúsculo num círculo vivo,
O divino multicolor espelhado
Na dança do renascimento,
A eterna espiral da vida...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Abro Asas...




O tempo desdobra-se surreal
Manifestando o esplendor da criação,
Transcende a hipotética visão
Camuflada na verdade letal.


Imbuída na aparência real
Disfruto das ondas de emoção,
Abro asas para longe da solidão
Alcançando o espaço sideral.


Na eterna alvorada permaneço
Aguardando o momento final,
Fecho os olhos mas não esqueço,


Corro descalça no quente areal.
Imersa em esperança peço
Que a ilusão se torne real...

sábado, 6 de setembro de 2008

Futuro Incerto




Divago nas horas perdidas
Rumo a um futuro incerto,
Todas as possibilidades em aberto
À espera de serem vividas.

Coloco questões proibidas
Às esfinges do deserto:
Está a felicidade longe ou perto?
Debato-me com memórias esquecidas...

Não pertenço a este lugar,
Para te encontrar vou-me perder,
Melopeias loucas ecoam no ar

Aguardam o despertar do teu ser.
A viagem está prestes a iniciar
E ainda não aprendeste a viver...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Silence


As palavras não proferidas aumentam o abismo.

Sonhos Perdidos





As fadas esvoaçam e o luar
Cintila discretamente na escuridão,
Um brilho fugaz
Que preenche o
Infinito dos meus sonhos,
Dando-lhe cor e magia.
Suavemente o pincel
Esboça um traço
Subtil de esperança
Fragilmente delineado...
O cinzelado vai ganhando
Contornos quentes e suaves
da minha fantasia perdida
em baús discretos.
Desembrulho os sonhos
Não realizados, tornando
A colocá-los na
Estante das possibilidades.
Sonhos antigos, modernos,
Simples, complexos...
Amplexos recalcados
Do ser tiranizado...
Elevas-me até aos
Meus sonhos perdidos?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Victoria Frances

A arte fabulosa de Victoria Frances, ao som de Evanescence ~ My Immortal.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Lágrimas




Silêncio...

Saber ouvir o silêncio e

Captar as suas mensagens...

Olha-me nos olhos e

Diz-me o que vês...

Reconheces-me?

Silêncio...

A dor apodera-se novamente

E viajo para longe.

Longe de ti, longe de mim,

Longe de Nós...

Algures no espaço intemporal,

Em busca do meu eu perdido.

Silêncio...

Os olhos choram lágrimas invisíveis

Escondidas pela mágoa.

Da boca saem palavras mudas

Impregnadas de desalento.

É melhor mesmo que não as oiças.

As minhas mãos tocam

A lage fria, e abraçam

As rosas vermelhas.

Os espinhos rasgam-me a pele

E doces gotas de sangue

Escorrem envergonhadas

Pela pedra cinzenta.

A morte e a vida.

O ciclo eterno.

Sonho Indifuso

A realidade é obsoleta...
Fujo para o meu mundo encantado,
Flutuo para longe
Envolta em águas agitadas,
Procurando um refúgio
Onde retemperar as forças.
O sonho indifuso continua...
A chama etérea
Brilha mas não me aquece,
Os sons mudos querem
Contar-me os seus segredos,
Mas os meus ouvidos surdos
Não os conseguem perceber.
Tanto está ao nosso alcance
Mas não olhamos para o lado,
Recusamo-nos a ver
As mensagens que nos enviam,
E quando já é tarde
Chora-se sobre o leite derramado.
Eu acenei e não me viste,
Fiz uma fogueira,
Gritei, chorei, desesperei...
Agora refugio-me no meu mundo,
Onde estás?
Não te oiço...
Não te sinto...
Há tanto tempo...

Alguém...




Perco-me na profundidade do teu olhar, mas já não consigo acreditar na veracidade das frases que proferes... Que significado tem para ti afinal, as palavras salgadas de lágrimas? Agora? Que diferença faz o tempo? O que mudou entre o dia de hoje e tantos outros dias passados?


Infelizmente, eu mudei...


Há feridas que sangram, sangram invisível e lentamente, a vida vai-se esvaindo sem darmos conta, e a dor é tão grande que quase nos leva à loucura. A agonia constante de termos alguém ao lado e sentirmo-nos tão terrivelmente sós... De não existirem já centelhas que reluzam ao contacto.... Falta algo...


Um sentimento de vazio gélido vai ocupando o lugar das batidas frenéticas e ritmadas no meu peito. Falta-me o que para mim é como o ar que respiro, como a luz que me ilumina, como o sangue que me corre nas veias. Esse algo foi subtilmente desaparecendo, deixando-me mergulhada na escuridão. Tu transformaste-me, e por isso, infelizmente, eu mudei... E tens tu a coragem de perguntar porquê?????


Abraço a minha escuridão, o meu caos, o meu tudo e o meu nada. Mergulho nas minhas dúvidas para reencontrar as minhas certezas, e assim conseguir nadar até à superfície da minha alma em tempestade.


O carinho de que sinto falta, era impregnado de magia e de AMOR. Era algo vital que me nutria, me fazia sentir viva, mulher e feliz... Agora resta-me esperar que o gelo derreta, que o nevoeiro se dissolva, e as brumas que me protegem se dissipem.


Infelizmente, eu mudei...


E é tão mais fácil não sentir. A máscara e as muralhas de indiferença e insensibilidade são a defesa mais eficaz contra o sofrimento. Mas não fui eu que escolhi este caminho. É frustrante sentir-me desprovida do que considero o mais importante. Mas as vicissitudes da vida camuflaram a minha essência de fogo, e o meu incêndio foi apagado. A fase de rescaldo é lenta e dolorosa, mas tenho esperança que um dia, surja uma faúlha que reacenda a paixão incontrolável e me transforme em fénix renascida das cinzas.


A minha fortaleza tem brechas, mas só a pessoa certa saberá as palavras mágicas para penetrar no core sagrado, onde palpita expectante aquele pequeno rubi no pedestal... O dragão dourado jaz a seus pés, vigilante, pronto para devorar o incauto que se aproxime com o coração impuro. O tigre branco respira suavemente com o seu hálito nevado, mantendo as emoções inquietas numa dormência repousante. O gato preto repousa na sua almofada de cetim, e os seus olhos verdes brilham na escuridão. A falsidade ser-lhe-à rapidamente revelada, atacando o falsário com a rapidez letal do felino caçador.


A tríade repousa assim, aguardando que alguém com o seu sopro de vida impregnado de verdadeiro amor, confira ao rubi o brilho de outrora... Alguém que transforme aquele suave palpitar no trovejar electrizante dos relâmpagos... Alguém que aceite o pequeno rubi, e o ame por aquilo que ele é, sem o tentar transformar na miríade dos seus sonhos...


Alguém...

Pétalas de Rosa



Saborear cada pequeno momento,
Degustar cada lágrima de felicidade,
Viver de acordo com a vontade
Que nos ateia a alma, vivo rebento...

Ter cada pedaço de céu, pétalas de rosa,
Cada profundo suspiro, cada palpitação,
Sonhei com a terrena redenção
Ao alcance da humanidade reclusa...

Cada toque suave, cada alegre chilrear,
Cada regato cantando, cada paisagem,
Tudo me fazes viver e desejar...

Sem sair daqui inicio a deliciosa viagem
Que me preenche como nunca, sem hesitar
Mergulho no êxtase do teu olhar, profunda miragem...

11ABR00