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terça-feira, 11 de junho de 2013

Brisa



Inspiro profundamente, sentindo a maresia
Aconchegar-me os sonhos…
De olhos cerrados, perco-me nas ondas
Que, incessantes, acariciam o areal
Em mil beijos ternos.

As gotículas salgadas entranham-se,
Libertam-se da servidão do tempo,
Apaziguam o fogo que teima em querer
Irromper do peito, incendiando
Tudo em redor.

Respiro-te, em cada centímetro
De pele que a brisa busca desnudar
Na sua eterna dança ardente,
Lançando-me num mar revolto de
Saudosas lembranças…

“Anda cá” – sussurras-me,

E abraço-te como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Intermitências




Sigo com o olhar os passos irresolutos
Que se perdem no areal agora já frio
Passos pálidos sob a luz da Lua distante
Que me enlaça do seu trono celeste

Vontade de seguir aqueles passos
E de olhos toldados ser a doce cativa
Das intermitências da noite escura
Oscilando entre a luz e a escuridão
Que acolhe os sonhos ocultos

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Silêncio


O desejo de estar longe
Contemplando o oceano,
De permitir que a sua
Profundidade me invada,
Onda após onda,
Que se aposse de mim
Sem hiatos,
De inspirar a maresia
Numa paz inquieta
Que divaga entre marés
E silêncio...

Volto a mim desta ausência,
A um momento sem tempo,
Sem expetativas, sem termos,
Sem roteiros, sem perdas.
Volto à luz que se reflete
Profusamente no abraço
Que me acalenta na solidão.

Volto do sonho ao desejo,
Num círculo eterno.




.

domingo, 17 de março de 2013

Face Oculta


A ponte permeia os mundos,
O rio une margens opostas
E nele mergulho, nos sonhos doces
Que despertam todas as noites
Quando a escuridão me seduz.

Não preciso que me recordem
Da luz que emana do core
Incandescente, que me conduz
Por entre a teia da vida, arte
Que perpassa ante mim.

Toco a face oculta do amor
Subjugada com a distância
Ausente do firmamento, prestes
A aquiescer ao desejo cru e
Inequívoco que ordena.

As cortinas púrpura do palco
Adejam languidamente,
Enquanto os holofotes renascem
Intermitentes, das trevas.
Eis-te, ao meu lado.

domingo, 10 de março de 2013

Silêncio...


Silêncio,
Por não inventar palavras
Que revelem a verdadeira
Dimensão da saudade….

Silêncio,
Que prossegue estático
Quando apesar do abraço
O espírito se sente incompleto…

Silêncio,
Quando o pensamento adeja
Num ápice vertiginoso
Desobedecendo-me cegamente…

Silêncio,
Que me acomete e subjuga
Sem solicitar consentimento
E se imortaliza no infinito…

Silêncio,
Essa afago melancólico
Que se detém no tempo
Ampliando o vazio…

Silêncio,
Meu oásis acolhedor
Que me sacia a vida
No meio da tormenta…

Sorrio neste silêncio,
Aguardando o devir.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Somos

Voar sem bússola
À descoberta de novos
Portos do sentir
Numa conquista destemida...
Navegar sem destino
Saboreando as marés,
Aportar onde a
Corrente me libertar...
Naufragar no desejo
Que consome a alma
No culminar
Da tempestade
Que me enlaça...
Quebrar rotinas,
Fazer-te sentir
O calor que me
Queima o peito,
E eleva para
O desconhecido...
Suspiro em ti,
Respiras em mim,
Somos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Guardo-te

A lua chama por mim,
O céu não adormece
E eu deambulo na noite
Ao teu encontro.

Guardo-te no peito,
Onde pernoitas
Completando-me
Nesta noite fria.

Fecho os olhos,
Ainda saboreio
As tuas mãos macias
Na minha pele...

Abraço-me e
Ainda sinto o teu calor,
A tua chama intensa
No olhar doce,

A beleza da entrega
Espelhada no êxtase,
Partilhada num amor
Singular, sem cadeias.




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Perfume


Beijos,
imensos, intensos...
Nesta noite
reverberas em mim
subtil e ininterruptamente,
despertando cada
lembrança de ti, em mim.....

O ar à minha volta
condensa-se, vibrando
em comunhão,
desfazendo o tempo,
obliterando a distância,
num magnetismo
de luxúria.....

Inspiro, respiro,
suspiro numa ânsia
que busca apenas
a metade ausente
da chama que
queima a alma,
da luz que reflete
o encontro puro,
desprovido de trevas
ou amarras...

Mergulho em mim
e encontro-te
num mar salgado
de suor quente
e loucura
espontânea,
intemporal, livre.

Uma vez saboreado
o encanto da rosa,
o seu perfume
fica impregnado
na pele despida,
jamais se esquece.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Bruma

Iluminas a minha noite
Quebrando todas as regras,
Libertas as sombras
Esmaecidas, levando a lua a
Ajoelhar-se, solitária,
Compondo doces melodias,
Erguendo castelos de sonhos
Agigantados pelo brilho
Desconcertante do momento...
Amanheces ao longe, envolto
Na bruma dispersa ao vento,
Atento e misterioso numa
Singularidade inesperada.
Navego ao largo,
Esperando que embarques
Aconchegado no calor da
Fogueira que me ofusca os sentidos
E lapida a vontade...
Partilho de um sono inquieto,
Acometido de visões estranhas
E ósculos sequiosos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Máscaras

Fecho os olhos,
Embalada pela brisa
Que me aconchega,
Me abraça e aquece,
Me faz rodopiar
Num turbilhão cego
De emoções revoltas...
A melancolia suspira
Perdida no teu sorriso,
O inverno da alma
Contrasta com a euforia
Do desejo latente
Que clama liberdade...
Não te percas agora,
Não te afogues
Na banalidade
Que nos persegue...
Deixa cair as máscaras,
Revela-te por inteiro
Na pureza inconsequente
Que me cativa,
Saboreia o inesperado
E segue-me...




.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Saudade

Sedenta,

                      Anseio


                                                    qUebrar


                                                                           paraDigmas,


                                                        pArtilhar


                           alvoraDas,


       Extase....

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desnuda


As folhas das árvores
Pintadas de vermelho
Choram com o céu,
O Inverno aproxima-se
Com um suspiro gelado,
Que despe a realidade
De certezas,
Deixando inquieto
O sono dormente
Que se apodera
Do tempo vazio.
As árvores desnudas
Expostas à intempérie
Aguardam silenciosas
O porvir sedento
De vida, numa litania
Muda, expectante,
Pejada de imagens
Que se sucedem,
Ambíguas, carentes,
Sequiosas do calor
De um reencontro.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palavras...


Palavras.....

Vagueando pela noite...

Refugiam-se
Na muda voz que ecoa
Incessante,
Em murmúrios
Vibrantes de fogo,
Outrora lágrimas...

Perduram
Refletidas em memórias
Sentidas,
Nos sonhos que brotaram
Do teu sorriso,
Outrora futuro...

Esboços
De um abraço em compasso
De espera,
De olhos que escutam
Na cadência do tempo,
Os meus anseios...

É minha, a vida que sentes...

Nas palavras...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tímido Hesitar



O amor que expiro
Em cada sentido suspiro
Beija as pálpebras fechadas
Na paixão embaladas,
Num lânguido repousar.

Abraço num tímido hesitar
De abandono ao renascer
Que dá alento ao viver,
Desejando que a fantasia
Se perpetue em carícia...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fragmento



É meu
O céu estrelado revelado
Naquele arrepio frio
Que avassala e cala
A metáfora de outrora...

Onde
Um reflexo perplexo
Surge perdido, despido
Em fragmento de sentimento
Sonhado, inacabado...

Nele
Encontras o desejar no olhar
Que abraça e alcança
A alma pura na ternura
Do beijo de entrega eterna...


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Scars



Open your eyes and
See me with your heart,
See beyond the scars
That torn me apart.

See beyond the reflections
Broken in a thousand shards,
See my wanderer soul
Waiting for you in the dark…

Open your eyes and
Dream of my true self,
When life becomes the goal
Love unleashes itself.

Dream of what we are
And of what we might become
Dream of the forgotten past
Weaving to be undone…

Break the chains
And set yourself free,
In the heart there’s more
Than you’ll ever see.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Magnetismo



Enigma expresso no olhar,
Invade o peito a incerteza,
É tentadora a natureza
Que induz os sentidos a amar.

Os passos vacilam ao avançar,
Clama por mim uma doce tristeza,
Teus olhos são uma vela acesa
Sussurrando o meu nome sem cessar.

Indistinto da loucura, o que a ausência
Da tua companhia faz ao meu ser,
Confundindo o sentir e o querer.

O magnetismo ignora a advertência,
Do perigo que se esconde no prazer...
Não é a emoção, a razão de viver?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Deixa que a Chuva te Lave a Alma

Deixa que as lágrimas
Te apurem os sentidos
Guiando os teus passos
Por trilhos perdidos…

Deixa que o luar
Afaste a escuridão
Que te afague a face
Tremente de emoção…

Deixa que a floresta
Te sare as feridas
Mitigando a saudade
Das noites perdidas…

Deixa que a chuva
Te lave a alma inquieta
Dissipando a solidão
Na nudez desperta…

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Espiral



As estrelas brilham
No firmamento
Num suave ondular
Que tira o fôlego
Ao incauto que
Nelas fixa o olhar.

O desejo de as tocar
Surge numa espiral
Árdua de suster
Embora os sonhos
Em ascese pairem
No oceano do entender.

Longínqua jaz a
Esperança que o
Acaso aprisionou
Mas a incerteza
Sustém o embalar
Que o destino alcançou...

.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sonhos perdidos




O sono tarda em chegar
E a mente deambula
Por vales perdidos,
Dos quais resgatei
Sonhos estrelados
Que acalento na fogueira
Que me arde no peito...

Vogam as lembranças
Em escunas sem porto de destino,
Lutam contra a maré
Que as arrasta lentamente
Para a intempérie do limbo,
Onde tudo se esconde e
Nada volta à vida,
Nada se concretiza e
Tudo estagna na razão
Assertiva do comodismo...

Amorfa, a luz debate-se
Para atravessar a cortina
Que nos separa do azul celeste,
Da esperança que renasce
A cada madrugada
Nas cinzas da terra
Que alimentam a génese...

O Vidro que nos separa
Quebra-se em mil pedaços,
Lançando-nos no vórtice.