terça-feira, 11 de junho de 2013

Brisa



Inspiro profundamente, sentindo a maresia
Aconchegar-me os sonhos…
De olhos cerrados, perco-me nas ondas
Que, incessantes, acariciam o areal
Em mil beijos ternos.

As gotículas salgadas entranham-se,
Libertam-se da servidão do tempo,
Apaziguam o fogo que teima em querer
Irromper do peito, incendiando
Tudo em redor.

Respiro-te, em cada centímetro
De pele que a brisa busca desnudar
Na sua eterna dança ardente,
Lançando-me num mar revolto de
Saudosas lembranças…

“Anda cá” – sussurras-me,

E abraço-te como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

.....



Para me sentir completa, não necessito de ser todo o teu mundo. Sou feliz apenas por me sentir parte dele.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Intermitências




Sigo com o olhar os passos irresolutos
Que se perdem no areal agora já frio
Passos pálidos sob a luz da Lua distante
Que me enlaça do seu trono celeste

Vontade de seguir aqueles passos
E de olhos toldados ser a doce cativa
Das intermitências da noite escura
Oscilando entre a luz e a escuridão
Que acolhe os sonhos ocultos

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Silêncio


O desejo de estar longe
Contemplando o oceano,
De permitir que a sua
Profundidade me invada,
Onda após onda,
Que se aposse de mim
Sem hiatos,
De inspirar a maresia
Numa paz inquieta
Que divaga entre marés
E silêncio...

Volto a mim desta ausência,
A um momento sem tempo,
Sem expetativas, sem termos,
Sem roteiros, sem perdas.
Volto à luz que se reflete
Profusamente no abraço
Que me acalenta na solidão.

Volto do sonho ao desejo,
Num círculo eterno.




.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Heartbeat




Os fotogramas sucedem-se numa cadência vagarosa e pausada, conferindo uma aura sépia às imagens que, contrariadas, despertam da doce magia da madrugada. A noite foi longa, nebulosa, repleta de sonhos surreais e desejos prementes, espelhados nos olhos fixos no infinito, brilhando como tochas ardentes que se incendeiam ante os primeiros raios de sol da manhã. As gotas de orvalho aconchegaram-se, durante a noite, nas folhas das árvores, mas evaporam agora com o calor emanado pelo coração intempestivo que bate ininterrupto, oculto algures, no âmago da terra, entre as raízes do destino.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

O ritmo espaçado entranha-se irremediavelmente, ecoando pelos bosques, em mim, arrebatado pela aragem irrequieta faz estremecer o céu, alterando a rumo das nuvens esparsas que se espraiavam languidamente ao sabor da brisa, embelezando a aurora.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

Abraça-me, este compasso que se aninha em mim, cingindo toda a existência na sua dança eterna, subjugando a vontade e anulando a razão, que busca em vão reter esta onda poderosa que  tudo absorve em redor, num bailado singelo e apaixonado. Sente-se, o fragor que inunda e permeia, acalenta e arrepia, que completa e deixa o vazio, a cada ausência.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

O bater intervalado é agora a  melodia que me ferve nas veias insinuando-se como oásis de puro deleite, clamando por cada fibra do ser, conquistando cada momento solitário, revelando-se o véu misterioso que oculta o segredo dos ensejos.

TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ... TUMTUM ... ...

A noite tarda ainda, o reflexo encantador hipnotiza, a sede do toque agudiza-se.




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sábado, 30 de março de 2013

Pausa

A fugaz passagem do tempo
Saboreia-se numa pausa,
Num eterno recomeçar,
Na ternura do agora.

domingo, 17 de março de 2013

Face Oculta


A ponte permeia os mundos,
O rio une margens opostas
E nele mergulho, nos sonhos doces
Que despertam todas as noites
Quando a escuridão me seduz.

Não preciso que me recordem
Da luz que emana do core
Incandescente, que me conduz
Por entre a teia da vida, arte
Que perpassa ante mim.

Toco a face oculta do amor
Subjugada com a distância
Ausente do firmamento, prestes
A aquiescer ao desejo cru e
Inequívoco que ordena.

As cortinas púrpura do palco
Adejam languidamente,
Enquanto os holofotes renascem
Intermitentes, das trevas.
Eis-te, ao meu lado.

domingo, 10 de março de 2013

Silêncio...


Silêncio,
Por não inventar palavras
Que revelem a verdadeira
Dimensão da saudade….

Silêncio,
Que prossegue estático
Quando apesar do abraço
O espírito se sente incompleto…

Silêncio,
Quando o pensamento adeja
Num ápice vertiginoso
Desobedecendo-me cegamente…

Silêncio,
Que me acomete e subjuga
Sem solicitar consentimento
E se imortaliza no infinito…

Silêncio,
Essa afago melancólico
Que se detém no tempo
Ampliando o vazio…

Silêncio,
Meu oásis acolhedor
Que me sacia a vida
No meio da tormenta…

Sorrio neste silêncio,
Aguardando o devir.

terça-feira, 5 de março de 2013

Lírio



O lírio branco repousa no regaço ardente, alheio à intempérie que se adivinha ao longe. As mãos quentes acolhem-no numa adoração muda, enquanto olhos brilhantes o contemplam vibrantes de ternura e afeto.

Imagens surgem do nada, sucedem-se, reproduzindo histórias de um encontro pausado, lânguido, prenhe de sensações avassaladoras que ofuscam um presente já de si invulgar.

As mãos..... As mãos cujo toque é tão ténue e intenso que reverbera e se perpetua no âmago do coração enamorado...

O lírio, esse resplandece iluminando a noite do passado que ganha novos sonhos nas recordações do amanhã. Ele floresce a cada pensamento, exalando um aroma quente e subtil que se entranha na alma e alimenta a imaginação sem limites que o acolhe.

Lírio branco, pronto a receber as dádivas que sabe serem suas, numa entrega pura e sem reservas... A chuva alicia-o numa dança cativante,  fazendo ecoar pelos céus palavras doces, num sussurro perene.

O fogo consome, mas o gelo acicata o desejo. Assim eu te espero.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Somos

Voar sem bússola
À descoberta de novos
Portos do sentir
Numa conquista destemida...
Navegar sem destino
Saboreando as marés,
Aportar onde a
Corrente me libertar...
Naufragar no desejo
Que consome a alma
No culminar
Da tempestade
Que me enlaça...
Quebrar rotinas,
Fazer-te sentir
O calor que me
Queima o peito,
E eleva para
O desconhecido...
Suspiro em ti,
Respiras em mim,
Somos.