sábado, 5 de janeiro de 2013

Tempo que se arrasta



Os segundos arrastam-se penosa e lentamente, como que indecisos, incertos do futuro, da decisão a tomar, do caminho a seguir...

 Podem avançar velozmente rumo ao próximo encontro, para a luz, qual raio de sol que aquece, faz vibrar os sentidos e anima o ser.... A cada dia que avança, o minuto do reencontro é aguardado com ânsia redobrada, a mente deambula, mas o coração pula até à estratosfera, como que admoestando , lembrando que há algo, alguém, cuja ausência se tornou dolorosa. Como que um vazio que sufoca, oprime e obriga pensamentos e emoções a convergir apenas numa direcção...

Porém, é doce o saborear a mais pequena lembrança dos sentimentos espelhados no olhar, transmitidos em contactos subtis de pele ardente e alma exaltada, num toque que se quer prolongar para além do tempo, que se impregna no âmago do ser... Os corpos aproximam-se instintivamente, sem que tomem verdadeira consciência do magnetismo que os atrai... Puros os instintos, complicada a mente.....

Os segundos arrastam-se, os relógios conspiram, a noite prolonga-se indefinidamente... Tento adormecer para que o tempo voe, mas o luar não te substitui...



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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Máscaras

Fecho os olhos,
Embalada pela brisa
Que me aconchega,
Me abraça e aquece,
Me faz rodopiar
Num turbilhão cego
De emoções revoltas...
A melancolia suspira
Perdida no teu sorriso,
O inverno da alma
Contrasta com a euforia
Do desejo latente
Que clama liberdade...
Não te percas agora,
Não te afogues
Na banalidade
Que nos persegue...
Deixa cair as máscaras,
Revela-te por inteiro
Na pureza inconsequente
Que me cativa,
Saboreia o inesperado
E segue-me...




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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Saudade

Sedenta,

                      Anseio


                                                    qUebrar


                                                                           paraDigmas,


                                                        pArtilhar


                           alvoraDas,


       Extase....

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desnuda


As folhas das árvores
Pintadas de vermelho
Choram com o céu,
O Inverno aproxima-se
Com um suspiro gelado,
Que despe a realidade
De certezas,
Deixando inquieto
O sono dormente
Que se apodera
Do tempo vazio.
As árvores desnudas
Expostas à intempérie
Aguardam silenciosas
O porvir sedento
De vida, numa litania
Muda, expectante,
Pejada de imagens
Que se sucedem,
Ambíguas, carentes,
Sequiosas do calor
De um reencontro.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Néctar



O néctar de Baco desfaz as cortinas de névoa que ofuscam a essência do ser… Revela o brilho que irradia do sorriso enigmático que me envolve … Coloca ao meu alcance o possível e o impossível, o real e o desejo, o sonho e a volúpia…

A noite ganha outras cores, o negro reveste-se de mistério e encanto, aquecendo-me…

Brado à chuva e ao vento rodopiando de braços abertos, ascendendo ao infinito no teu encalço.

Quando, inebriada, estou prestes a afagar o teu rosto, a visão esfuma-se devolvendo-me à realidade insípida da distância…


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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Murmúrio...



Um murmúrio salgado chama da escuridão, insinua-se em toques subtis dançando sob a luz vermelha.

A chama devora a película revelando a intimidade da cor, a sofreguidão da pele, a vida no olhar.

Naquele momento, a alma sacia-se perdida do tempo, a teia brilha, aconchegante, envolvendo memórias e presente.

O murmúrio intensifica-se ressoando na imensidão do sonho:

Ela deixou de estar só...


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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palavras...


Palavras.....

Vagueando pela noite...

Refugiam-se
Na muda voz que ecoa
Incessante,
Em murmúrios
Vibrantes de fogo,
Outrora lágrimas...

Perduram
Refletidas em memórias
Sentidas,
Nos sonhos que brotaram
Do teu sorriso,
Outrora futuro...

Esboços
De um abraço em compasso
De espera,
De olhos que escutam
Na cadência do tempo,
Os meus anseios...

É minha, a vida que sentes...

Nas palavras...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tímido Hesitar



O amor que expiro
Em cada sentido suspiro
Beija as pálpebras fechadas
Na paixão embaladas,
Num lânguido repousar.

Abraço num tímido hesitar
De abandono ao renascer
Que dá alento ao viver,
Desejando que a fantasia
Se perpetue em carícia...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fragmento



É meu
O céu estrelado revelado
Naquele arrepio frio
Que avassala e cala
A metáfora de outrora...

Onde
Um reflexo perplexo
Surge perdido, despido
Em fragmento de sentimento
Sonhado, inacabado...

Nele
Encontras o desejar no olhar
Que abraça e alcança
A alma pura na ternura
Do beijo de entrega eterna...