Solitária, contemplas da janela os caminhos sinuosos que rasgam os prados verdejantes em direcção à tua torre.
Na penumbra do quarto, olhas em direcção à janela e avanças para ela como que hipnotizada pelos raios de luz que penetram a obscuridade.
Abres a janela de par em par, avanças hesitante, e fechas os olhos saboreando a aragem quente que te envolve em sorrisos lânguidos de crepúsculo... Qual bailado da alma que te estende a mão invisível, ansiosa pelo toque suave que se adivinha no sorriso do olhar…
Mas oh…….. A aragem acaricia-te o cabelo, e enrubescida de tamanha ousadia o teu olhar retrai-se, subsistindo apenas a essência do perfume que oscila no ar.
Chegam aos ouvidos murmúrios de palavras doces e misteriosas, mas os teus olhos não conseguem ver para além das máscaras insensíveis e de ar distante… Desiludida, envolves a tua torre em bruma e nevoeiro, embora seja difícil resistir à atracção pela luz colorida que teima em querer romper a penumbra.
Entreabres momentaneamente as cortinas de fumo, aspirando avidamente o sabor da vida, enquanto espirais de vermelho te presenteiam com suspiros. Vacilas, ante a expectativa de voltar a sentir, de voltar a saborear, de sair da redoma em que te refugiaste....
Encerraste-te num mundo a preto e branco, mas sabes, o arco-íris continua à tua espera….