quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vertigem





O que faço eu com esta vertigem 
Sem nome? 
Com esta saudade emergente 
Do nada? 
Com esta incerteza em busca 
De significado? 
Com as palavras que se escondem 
No silêncio?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tango



De olhos fechados, deixo-me conduzir ao som da música inebriante da vida. 


Como num tango, olhos devoram olhos e o toque absorve o fôlego apaixonado da carícia. 








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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Espiral



As estrelas brilham
No firmamento
Num suave ondular
Que tira o fôlego
Ao incauto que
Nelas fixa o olhar.

O desejo de as tocar
Surge numa espiral
Árdua de suster
Embora os sonhos
Em ascese pairem
No oceano do entender.

Longínqua jaz a
Esperança que o
Acaso aprisionou
Mas a incerteza
Sustém o embalar
Que o destino alcançou...

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sonhos perdidos




O sono tarda em chegar
E a mente deambula
Por vales perdidos,
Dos quais resgatei
Sonhos estrelados
Que acalento na fogueira
Que me arde no peito...

Vogam as lembranças
Em escunas sem porto de destino,
Lutam contra a maré
Que as arrasta lentamente
Para a intempérie do limbo,
Onde tudo se esconde e
Nada volta à vida,
Nada se concretiza e
Tudo estagna na razão
Assertiva do comodismo...

Amorfa, a luz debate-se
Para atravessar a cortina
Que nos separa do azul celeste,
Da esperança que renasce
A cada madrugada
Nas cinzas da terra
Que alimentam a génese...

O Vidro que nos separa
Quebra-se em mil pedaços,
Lançando-nos no vórtice.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Abraço gélido



O frio percorre os recantos esquecidos em busca de companhia, mas o espectro que surge no teu lugar não demonstra ter consciência da solidão que se propaga lentamente nas sombras do Inverno perene que me consome.

Os trinados melódicos das aves emudeceram sob o manto nevado do crepúsculo, as flores jazem desprovidas de cor e de alma em compartimentos poeirentos de abandono, as árvores despidas vislumbram-se nas áleas brancas a perder de vista, enquanto o tempo escoa lentamente através das nuvens que salpicam o firmamento outrora estrelado.


Tique-taque   Tique-taque   Tique-taque


O abraço gelado da tua ausência, envolve-me.


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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pedras


Pedras ocas
As que o meu suspiro alcança
No desalento da planície
Que percorro;
Não me devolvem
A audácia consumida
Nas chamas, nem alimentam
A tempestade que
Ilumina o plúmbeo céu....
Pedras que escondem
Mil sorrisos dissimulados
Na chuva que fustiga
O olhar travesso
Dos lobos que
Correm noite fora,
pelos trilhos da lua
Suspensa no meu peito...
Pedras que esperam,
Por mim...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Blood Tears

Beijaste distraidamente as tépidas
Lágrimas que jazem agora inertes.
O sangue que fazes reviver,
Ofereço-to nas palavras
Desalmadas que se atropelam,
Tingindo de rubro a tua vida...
Emanas doces sonhos tecendo
A cortina de seda que me envolve,
Respirando cada chama, na alma que
Sobrevive suspensa do teu olhar...


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Farrapos de Tempo



Dispensas-me
Farrapos do teu tempo,
Alheio ao espinho
Que se crava lenta e
Profundamente na carne...
Ignoras o fio quente e rubro
Que escorre da ferida
Na qual se desilude a esperança...
Tento abraçar a névoa
Que por mim passa
E se dissipa,
Se desfaz em nada.
Será que oiço
O eco dos meus suspiros
Ou será a tua voz
Há muito perdida?
Nada oiço.
Nada vejo.
Somente o vazio
Do meu lado do espelho,
De onde contemplo
O teu universo de 
Guerreiros incorpóreos,
Que me roubaram
O nosso tempo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Alma que sabe a mar



De olhos postos no firmamento
O sol brilhando por dentro
Inspiro os sons da alvorada
Suspensa no tudo que é nada.

Devaneio preenchendo o vazio
Com a ternura que desfio
Conta a conta, escondendo
o abraço do infinito tormento.

Sorris, com a lua no olhar,
Com alma que sabe a mar
E toque de quem se perdeu
No prazer que foi meu.

Acordo, liberta do prender
Na maresia do amanhecer
De mãos dadas ao destino
Que de ti fez meu peregrino.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fantasmas



Encontro na névoa adormecida
Os sonhos dispersos
Que me aconchegam a alma
E acariciam as lágrimas
Que caiem sem permissão...

A dor lacinante que se alojou no peito
Esconde-se no recôndito do meu ser
Ao raiar ténue da aurora,
Aguardando o manto protector da noite
Para emergir das trevas,
Uma, outra e outra vez...

A dúvida comanda o ser e o porvir
Enquanto fantasmas efémeros
Iludem a razão, ganhando vida
Nas sombras onde habitam.

Outrora era o sonho,
A génese do nada, a esperança
Que a noite estrelada
Subjugaria o negrume do breu ...

Esta noite sou tudo o que resta,
Perdida em busca do prazer
Mesquinho e perverso de quem
Ousa acreditar no amanhã.